No balanço do dia, pegava-me pensando em ti, via em cada olhar estranho os teus olhos sinceros, ao me perguntar o porque, via em cada canto de qualquer pássaro, o teu sussurra ao me perguntar o porque. Na multidão da praça cada toque sempre tu a me questionar o porque, a cada passo, o futuro de uma pergunta, já pré-meditada.
Ontem te vi de longe, tentei conter as lágrimas, por orgulho, admito, por orgulho amor...
Surpreso? Bom... eu também estou, fui surpreendida por mim mesma nesses últimos dias. Eu que dizia não prestar atenção nos teus olhos, confundi-los com os de desconhecidos, eu que dizia odiar teu tom de voz, confundi com o dos pássaros, e em tudo mais eu te via, logo eu que dizia não te amar, logo eu que de nunca quis admitir ser orgulhosa. Logo eu que te prometi, nunca negaste um sorriso, tampouco uma lágrima. Estou aqui, me fazendo de dura, tão fria e calculista. Mas preciso te dizer, preciso sacrificar cada milimetro de orgulho pra te dizer. Senti saudade amor, de você me chamando de idiota por eu não saber jogar xadrez e sempre te deixar ganhar, de você nunca dá atenção pra minhas bandas favoritas, senti saudade da mistura exata de menina-mulher que eu costumava ser, das reuniões em famílias que você sempre insistia em me levar, senti saudade de não ter escolhas, senti saudade de alguém pra escolher por mim. Senti saudade de você, por isso eu voltei.

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