sexta-feira, 29 de julho de 2011

Eu sei que dói, por isso vim fazer teu curativo.


Fernanda Ferreira


Somando agora, aqui, nós dois na janela da casa de barro, mais pássaros ao plano de voô. Digo bem baixinho, ”te gosto” você ri, sem muito a dizer, mas diz; ”vamos morar num campo amor, vamos? 


Fernanda F.
Homem fica lindo quando sincero.
E se tiver algumas dúvidas, uma ou outra insegurança, certa timidez, ainda melhor.
Nada mais excitante do que ver um homem real.
Sem acessórios, frases de impacto ou promessas infundadas.
Mas com mãos firmes, e atitude.
Não me impressiono com cargos, cifras ou músculos.
Gosto mesmo é de gente, com alma e com histórias.
Belo em seus valores e em seus princípios, porque beleza “de fora” não me interessa.
Prefiro se tiver aquele ar abandonado, e se souber amar com coragem.
De homem que não seja assim, já deu prá mim.
Sou tímida, quem diria, e me sinto desconfortável no meio de muita gente. Não sei ter relações meramente sociais: fico amiga ou não fico nada, o tititi mundano está acima de minhas capacidades. Adoro estar nos lugares, olho tudo, sou curiosa, gosto de ouvir o que as pessoas dizem, mas, quando elas são muitas, eu preferia ser uma mosca.

1ª de Maio

Tive dúvidas, confesso, antes de maio me formava em certeza, até chegar dia primeiro, até chegar você no dia primeiro, no dia primeiro de maio.
Tive dúvidas, se tu, era a mulher com quem eu queria acordar todos os dias, se eu iria mesmo te aceitar sem maquiagem, sem penteado, despenteada e de cara lavada.
Até que no dia primeiro mês seguinte te vi dormindo, tão linda, que o meu coração nunca mais quis duvidar de suas escolhas

Fernanda Ferreira
No balanço do dia, pegava-me pensando em ti, via em cada olhar estranho os teus olhos sinceros, ao me perguntar o porque, via em cada canto de qualquer pássaro, o teu sussurra ao me perguntar o porque. Na multidão da praça cada toque sempre tu a me questionar o porque, a cada passo, o futuro de uma pergunta, já pré-meditada.
Ontem te vi de longe, tentei conter as lágrimas, por orgulho, admito, por orgulho amor...
Surpreso? Bom... eu também estou, fui surpreendida por mim mesma nesses últimos dias. Eu que dizia não prestar atenção nos teus olhos, confundi-los com os de desconhecidos, eu que dizia odiar teu tom de voz, confundi com o dos pássaros, e em tudo mais eu te via, logo eu que dizia não te amar, logo eu que de nunca quis admitir ser orgulhosa. Logo eu que te prometi, nunca negaste um sorriso, tampouco uma lágrima. Estou aqui, me fazendo de dura, tão fria e calculista. Mas preciso te dizer, preciso sacrificar cada milimetro de orgulho pra te dizer. Senti saudade amor, de você me chamando de idiota por eu não saber jogar xadrez e sempre te deixar ganhar, de você nunca dá atenção pra minhas bandas favoritas, senti saudade da mistura exata de menina-mulher que eu costumava ser, das reuniões em famílias que você sempre insistia em me levar, senti saudade de  não ter escolhas, senti saudade de alguém pra escolher por mim. Senti saudade de você, por isso eu voltei.

Fernanda Ferreira