segunda-feira, 28 de novembro de 2011




Ela é um pote de cristal, tão transparente quanto, tão rico quanto. Mas um cristal que não sabe seu real valor, um achado no meio de tantos outros pobres potes que são apenas de vidro. Estes se quebram e são varridos como um objeto qualquer. Mas ela não, se ela quebra, é a tristeza de um cristal que se foi. E todos sentem.
E muitos perguntam: O que ele viu nela? O que ela viu nele?
E eu respondo: O coração !

Fernanda Ferreira

domingo, 27 de novembro de 2011

Não, não era amor, também não era paixão. Não dei nome aquilo,mas acho que era afeição mesmo sabe.
Querer estar perto,querer ver toda hora,querer abraçar, querer rir junto, querer junta os risos...
Ele me fez sentir borboletas no estomago novamente. Sabe como é... aquela sensaçãozinha de estar voando de pés no chão.
Sem promessas e sem marcar segundo encontro. Porque só de saber que o outro existe já basta.

Fernanda Ferreira
Tá bom, eu não vou começar dizendo que sinto sua falta, que todos esses dias sem você foram sufocantes. E nem essas babaquices que os românticos dizem por aí. Apesar de que eu sou romântica, e convenhamos, uma babaca também.
Lembra da vez que eu te disse que queria namorar um escritor? Você quis me matar. E eu gargalhei, até doer a barriga, e disse baixinho no teu ouvido. "bobo,eu só queria virar uma literatura".
Você costumava dizer muitas coisas bonitas, mas pouco escrevia. A coisa mais linda que você me escreveu foi. " Te amo minha pequena,e agradeço todos os dias pela menina-mulher espetacular que você é, beijos minha princesa". E eu muito boba sorri, e chorei, sorri e chorei, depois só chorei, mas aí foi quando lembrei de você me chamando de pequena,princesa e todas essas palavras clichês.
Você era um menino comum, e eu ficava pensando,como poderia eu amar um cara tão comum. Não por ser superior, eu até já amei outros caras comuns antes. E eles me diziam que gostavam de meninas comuns também. Todos foram embora,porque não aguentaram minha complexabilidade de menina-mulher, ou minha mania de escrever tudo e sair publicando. É de menina comum que eles gostam,daquelas que saem a tarde com as amigas, aquelas que copiam textos e frases batidas pra te mandar,porque não tem a doçura de escrever algo decente pra você. E quem sou eu, uma babaca romântica que vive lendo livros, que odeia sair, que vive na frente do computador, que ouve musica pela beleza da letra, e não apenas pela batida ou porque ''tá fazendo sucesso'', eu sou toda estranha mesmo. Tô aqui sempre querendo ser diferente das outras e acabo sendo menos admirada por eles.Mas não faz mal, eu me adoro assim, e sei que um dia alguém vai me adorar também.

Um beijo no rosto. Ass; seu ex amor.

Fernanda Ferreira

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Ninguém

Sapato baixo, calça larga e cabelo preso. Esquentou e seus ombros tensos agradecem. Que cara bonita é essa? Já logo no elevador. Ah, devo ter dormido bem. Bom dia, bom dia. Olha, você está muito bonita hoje. Um fala, outro concorda. E pelos corredores, sorrisos dão continuidade aos elogios. O que é?Que segredo ela guarda? Que novidade é essa? Na cozinha perguntam: novo amor? No estacionamento perguntam: voltou com alguém? No restaurante, na hora do almoço: é alguém novo? Cruza com um namorado antigo "nossa, você tá muito... é o quê? Sexo? A noite toda? Conta, vai, eu agüento ouvir". Contar o quê? No espelho, enquanto escova os dentes, fecha os olhos e sabe pra si o segredo: ninguém. Não gostar de ninguém.Nada. Nem um restinho de nada. Nem de tudo que acabou e nem de nada que possa começar. Nada. Pouco importa qualquer outra vida do mundo. Não é nem pouco, é nada mesmo. Um dia inteiro para achar gostosas coisas bobas como um pacote de pipoca doce, um tênis pink ou a hora do banho quente com músicas recém baixadas e o tapetinho vermelho. Um dia inteiro sem escravidão. O celular, o e-mail, o telefone de casa, o ar, o interfone, a rua. São o que são e não carrascos que nada dizem e nada trazem. Um coração calmo, se ocupando de mandar sangue para as horas felizes de trabalho, estudo, yoga, massagem, dormir, bobeiras, pilates, comer, rir, cabelo, filmes, comprar, trabalhar mais, ler, amigos . É isso. Uma agenda enorme que a ocupa de ser ela e não sobra uma linha de dia pra lamentar existências alheias. Linda, ela segue.Linda e feliz como nunca. O segredo do espelho, escovando os dentes, sozinha, aperta os olhos, segura a alma um pouco sem respirar. Segura a pasta pensando que é um pouco de alma consistente na boca. Não cospe, suporte. Ela pode finalmente suportar seu peso e não dividir isso nem com o ventinho que entra pela janela. Nem com o ralo que a espera boquiaberto. A sensação é a da manhã seguinte que o papai Noel deixava os presentes: não é mentira, é só um jeito de contar a verdade com algum encantamento.