terça-feira, 31 de agosto de 2010

Eu sou você

De certos tempos pra cá, venho tentando me achar em alguém.
Procurando se quer um pedaço de pele tirada pela vida ou pelos
amores que vieram a me ferir. Não sei, talvez você não entenda
porque estou dizendo tudo isso, mas eu apenas precisava te dizer.
Porque eu preciso me compartilhar com você, preciso te contar
meus medos, te falar das minhas manias, dos meus antigos amores
das bobagens que falo diariamente, preciso te falar que
fiz tanta gente feliz, e até hoje você foi um dos poucos que tem
me feito feliz também.
Mas o que eu não preciso falar é o que mais você precisa saber,
é que eu me achei em você, eu sou você e vise-versa.
Eu sou mais você do que fui qualquer homem que passou pela minha vida
Eu nunca consegui escrever algo tão simples e ao mesmo tempo tão lindo
sobre alguém, até ontem, porque hoje escrevi não só sobre mim,
mais sobre você, porque eu sou você e vise-versa.
E sem você, eu sou metade de mim!


Fernanda Ferreira

Eu odeio esse texto


(...)Eu odeio que encostem o cotovelo, na bunda ou uma cerveja molhada em mim enquanto eu tento encontrar um espaço para dançar. Eu odeio que encostem em mim, odeio a pele de um desconhecido indesejado.
Odeio homens que olham para bundas como se admirassem uma carne pendurada no açougue e odeio mais ainda quando fazem bico e aquele sim com a cabeça, tipo "concordo com o mundo que ela é muito gostosa". E se ele fizer aquela chupada pra dentro do tipo "hmmmmm delícia" já é algo que ultrapassa os limites do meu ódio.
Eu odeio machismo, submissão e mais do que tudo isso ter que ser forte o tempo todo e não ter um ombro másculo para chorar até minha última gota desamparada.
Odeio pessoas muito oleosas, muito peludas, muito suadas e acima de tudo meninas que cheiram a lavandas e gostam de adesivos de ursinho.
Odeio quem comemora porque passou numa faculdade que meu primo de 8 anos passaria e quem diz "peguei a mina".
Odeio a frase "eu vou no super, comprar umas cervas para o churras".
Odeio quem passa o dia no shopping com a família, churrascaria com aquele desfile de bichinhos mortos, principalmente porque você está lá tranqüilamente comendo e vem alguém com um espeto (que é grosseiramente imposto ao seu lado), te espirra sangue, fala um nome idiota e você nunca sabe exatamente de que parte se trata.
Odeio meninas caçadoras de homens ricos mas odeio sair com um cara que está tentando começar um relacionamento e ter que rachar a conta, seria mais simpático me deixar pagar a conta toda. Rachar é péssimo.
Dividir banheiro, pêlo alheio em sabonete, acordar cedo e meninas adolescentes peruas com voz de pato.
Quando eu era criança sonhava todas as noites que arrancava os olhos de todo mundo e só eu podia enxergar o quanto era feio eu ser como sou.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Surpresa


Não é justo ser garantia pros outros.
A gente reclama tanto das decepções mas..
não aprendemos, não! Nós nunca aprendemos.
Não espere muito de mim, definitivamente não espere.
Prefiro assim, melhor deixar que seja.
É melhor a surpresa do quê a decepção.

Fernanda Ferreira

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Passarinho morto não voa não!


Não aguento mais essa monotonia!
Preciso de algo, ou de alguém que me tire o tédio,
que me tire o tempo.
Mas me entenda... não sou uma casa, e não estou de aluguel. 
Se me quer, me queira pra sempre!

Fernanda Ferreira
(...) Faz muito tempo que você não vem, sei do tempo que você não vem porque guardei no meio das minhas roupas um pedaço daquela maçã que você me trouxe da última vez, e aquele pedaço escureceu, ficou com cheiro ruim, encheu de bichos, até que eles me obrigaram a jogar fora. Acho que os pedaços da maçã só se enchem de bichos depois de muito tempo, não sei. Parei um pouco de escrever, roí as unhas, preciso roer as unhas porque eles não me deixam fumar, reli o começo da carta, mas não consegui entender direito o que eu pretendia dizer, sei que pretendia dizer alguma coisa muito especial a você, alguma coisa que faria você largar tudo e vir correndo me ver ou telefonar e, se fosse preciso, trazer a polícia aqui para obrigá-los a deixarem você me ver. Eu sei que você quer me ver. Eu sei que você fica os dias inteiros caminhando atrás daqueles muros brancos esperando eu aparecer. Eles não deixam, acho que você sabe que eles não deixam. Não vão deixar nem esta carta chegar às suas mãos, ou vão escrever outra dizendo que eu não gosto de você, que eu não preciso de você. Mas é mentira, você tem que saber que é mentira, acho que era isso que eu queria dizer preciso escrever depressa antes que eu me esqueça do que eu queria dizer era isso eu preciso muito muito de você eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro ou do outro lado. (...)

Eu acho graça e penso em como você também acharia graça se soubesse como eles repetem que você não existe. Depois eu paro de achar graça e fico olhando a porta por onde não entra o telefone por onde você não fala e me lembro do pedaço apodrecido daquela maçã e então penso que talvez eles tenham razão, que talvez você não venha mais, e com dificuldade consigo até pensar que talvez você não exista mesmo. Mas não é possível, eu sei que não é possível: se estou escrevendo para você é porque você existe. Tenho certeza que você existe porque escrevo para você, mesmo que o telefone não toque nunca mais, mesmo que a porta não abra, mesmo que nunca mais você me traga maçãs e sem as suas maçãs eu me perca no tempo, mesmo que eu me perca. Vou terminar por aqui, só queria pedir uma coisa, acho que não é difícil, é só isso, uma coisa bem simples: quando você voltar outra vez veja se você me traz uma maçã bem verde, a mais verde que você encontrar, uma maçã que leve tanto tempo para apodrecer que quando você voltar outra vez ela ainda nem tenha amadurecido direito.


Caio Fernando Abreu

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

De verdade.


Não me faça gastar minhas interrogações, me faça lhe conhecer melhor, porque é muito ruim conhecer alguém sem conhecer sua alma, é muito ruim, confiar e não ser confiante, não quero apenas ter amigos, mas quero ser amiga, entende?

Fernanda Ferreira




— Será? Tem coisas, tem coisas que ele escreve que parecem. Não sei, parecem verdade, entende? Ele me toca, mexe comigo. Talvez eu esteja assim todo lisonjeado porque alguém parece prestar tanta atenção em mim.


Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Onde esteve esse tempo todo?



Por tanto tempo eu esperei alguém assim, e nada. Só encontrei decepções, quando esperava que fosse o cara certo, ''pá'' lá vinha mais uma tragédia, mais uma mascara caída, mas um príncipe que vira sapo.
Foram tantos teatros que participei, sem ensaio nenhum, eu era a mocinha, e eles? os vilões, assassinos de amores.
Todos esses anos, eu fiquei procurando você, me enchendo de dividas nas lojas, tentando ficar fabulosa, mas foi tudo desperdício de maquiagem, de tempo, de amor..
E então.. você me aparece, quando ja estou tão retalhada por muitos cortes. Logo não criei muita expectativa, porque com um tempo, eu fui ficando fria,seca, irônica, e preferi então um pensamento negativo '' quanto menor o vôo, menor a queda ''.
Bom.. não sei se isso tem resolvido, mas pra ser sincera, eu ainda tenho dúvidas.
Você é muito perfeito pra mim!

Fernanda Ferreira